Hoje há greve da função pública. O congelamento salarial e a antecipação do agravamento das penalizações para as aposentações antecipadas foram o mote para a paralisaçao desta quinta feira
O secretário geral da CGTP está convicto de que a greve de hoje da função pública terá uma enorme mobilização, mas recusou-se a avançar cenários caso o Governo não altere a sua posição.

Manuel Carvalho da Silva alertou também para a possibilidade de existirem pressões e manipulações diversas sobre os trabalhadores, no sentido de diminuir a expressão pública da greve, devido há muita precariedade que existe na função pública.

O congelamento salarial e a antecipação do agravamento das penalizações para as aposentações antecipadas foram o mote para a greve desta quinta feira, embora na base do conflito estejam também questões relacionadas com as carreiras e com o sistema de avaliação de desempenho dos funcionários do Estado.

A paralisação é convocada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, pela Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), ambos afetos à UGT, e pela Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, afeta à CGTP.

O dirigente da CGTP alertou também para que aquilo que se passa na administração pública acaba por ter reflexos também no sector privado.

Instado várias vezes pela Lusa sobre o que outras formas de luta podem ser equacionadas caso a paralisação de quinta feira não altere a posição do Governo, Manuel Carvalho de Silva recusou responder, preferindo salientar a necessidade de mobilização.

A última greve convocada pelas três estruturas sindicais realizou-se a 30 de novembro de 2007, contra a imposição de um aumento salarial de 2,1 por cento.

Os sindicatos suspenderam a paralisação de quinta feira na região autónoma da Madeira para facilitar os esforços que estão a ser feitos para que a vida na ilha volte à normalidade, após o temporal de 20 de fevereiro.

A recolha do lixo, a saúde e as alfândegas são as áreas em que a paralisação da Função Pública mais se tem sentido, afirmou a coordenadora da Frente Comum, um dos sindicatos que convocaram a greve de hoje.
Em declarações à Lusa, Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública, sublinhou que nos sectores que funcionam 24 horas se registou uma «grande adesão».

Na alfândega do Porto, a adesão dos trabalhadores chegou aos 100 por cento e, embora tenha sido inferior em Lisboa, a dirigente sindical acredita que vai aumentar durante o dia de hoje.